Terça-feira, Maio 12, 2009

Hallelujah

I heard there was a secret chord
That david played and it pleased the lord
But you don't really care for music, do you?
Well it goes like this the fourth, the fifth
The minor fall and the major lift
The baffled king composing hallelujah

Hallelujah...

Well your faith was strong but you needed proof
You saw her bathing on the roof
Her beauty and the moonlight overthrew you
She tied you to her kitchen chair
She broke your throne and she cut your hair
And from your lips she drew the hallelujah

Hallelujah...

Baby I've been here before
I've seen this room and I've walked this floor
I used to live alone before I knew you
I've seen your flag on the marble arch
But love is not a victory march
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah...

Well there was a time when you let me know
What's really going on below
But now you never show that to me do you
But remember when I moved in you
And the holy dove was moving too
And every breath we drew was hallelujah

Hallelujah...

Well, maybe there's a god above
But all I've ever learned from love
Was how to shoot somebody who outdrew you
It's not a cry that you hear at night
It's not somebody who's seen the light
It's a cold and it's a broken hallelujah

Hallelujah...

Leonard Cohen

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Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Flor da Liberdade

Sombra dos mortos, maldição dos vivos.
Também nós... Também nós... e o sol recua.
Apenas o teu rosto continua
A sorrir como dantes,
Liberdade!
Liberdade do homem sobre a terra,
Ou debaixo da terra.
Liberdade!
O não inconformado que se diz
A Deus, à tirania, à eternidade.

Sepultos, insepultos,
Vivos amortalhados,
Passados e presentes cidadãos:
Temos nas nossas mãos
O terrível poder de recusar!
E é essa flor que nunca desespera
No jardim da perpétua primavera.


Miguel Torga,
in "Orfeu Rebelde", 1958

The House Is Haunted

The house is haunted
By the echo of your last goodbye
The house is haunted
By the memories that refuse to die
I can't get away from the
vision that brings
Intimate glimpses of intimate things
A voice in my heart like a
torch singer sings
I wonder who's kissing you now

The house is haunted
By the echo of your favourite song
The place is cluttered up
With memories that have lived too long
Much too long
The ceilings are white but
the shadows are black
The ghost in my heart says
You'll never come back
The house is haunted
By the echo of your last goodbye

I'll never forget you

The house is haunted
By the echo of your last goodbye

Marc Almond

Sexta-feira, Novembro 14, 2008

Átrio

Digo-me baixo, baixinho
Para aquele lugar bem no centro
O que pode nos olhos ser um brilho
E o porquê deste momento

Eu digo baixo
Para simular o vazio
Que os ouvidos sentem
A eminencia do desaparecer,
E um não acreditar sentir
Feito único num absurdo
Pelo ontem materializado
De uma presença delicada
Que parece quase desvanecer

Mas dizes-me... que me dizes?
Não recordo
Quais palavras que deixo morrer
Por se me entranhar a sua alma
Tão delicada e consequente
Como a presença que...
Parece que arde
Tanto como me queima
Porque parece ser tanto,
Aquilo que ganhei num momento
Com mãos pequenas apanho
O que em vão mantenho

Não!
Da razão não procuro sustento
E assim digo baixo e calado
Os anjos não precisam ouvir
E do mundo está Deus ocupado
Enquanto sigo
Com o meu calar

Quinta-feira, Outubro 16, 2008

Olá!

Saúdo-te!
Saúdo-te hoje mas... esforça-se-me não lembrar ontem
Não quero redenção. Nada há a redimir, nem deuses para adorar.

Enfim seguimos!
Vejo-te com um sorriso, o teu sorriso
(Desarmonioso, alma e corpo)
Derramado num coração de pedra
Enquanto em palavras desfilam, prudentes
Actores amadores, sentimentos incoerentes
Alegre e irónico encontro
De almas que se tocam, enfim
Da mesma forma que sorris p'ra mim

Tempo... o tempo! Não se sente o tempo. Entranha-se-nos a vida nos ossos,
E a cada crepúsculo, uma ruga na cara
Há um dia que se perde
Outro amanhã se nos cede

Sexta-feira, Outubro 10, 2008

Inocência crítica

Recordo-me de, em criança, colocar determinadas questões na minha santa inocência, e, agora que penso nisso, talvez não sejam assim tão absurdas. Como cresci numa família cristã, e certamente também inteirado pela cultura ficcional da existência de seres extraterrestres, certo dia perguntei-me: Se Jesus nasceu humano, e é Deus ressuscitado, será também Jesus, Deus para seres extraterrestres?

Na verdade nunca sequer questionei com alguém nessa altura, talvez por achar que achassem a pergunta absurda, mas recordo-me de eu próprio ter pensado na questão mais a fundo e ter pensado que se assim for, como saberão os extraterrestres que o segundo elemento da Santíssima Trindade é Deus deles, se mesmo nós humanos temos relato da vida dele nuns insignificantes 33 anos (insignificante à escala universal, entenda-se) em que ele viveu? Ou então, pondo-nos noutra perspectiva, haverão outros "Jesus" além fronteiras de que não temos conhecimento? Não teríamos certamente uma Trindade mas sim uma Multientidade, constituida por deuses ressuscitados em corpo vivo, com aspectos insectóide, humanoide, esquisitóide, ou qualquer outra aparência que possamos imaginar para um Messias extraterrestre.

Eu sei que a existência de vida inteligível para lá deste minúsculo planeta é altamente discutível, mas a parte disto, e considerando que a questão inicial é verdadeira, não estará a teologia cristã a colocar o homem no centro do universo? Não fará isto lembrar a ideia antropocentrista do universo com tudo a girar à nossa volta, ou melhor, do nosso planeta? Precisará a teologia cristã de uma revolução Copernicana?

Coloco agora a questão, qual o sentido desta fé? De histórias e mitos antigos, de superhumanos, virgens parideiras e vozes que ecoam do céu? Blasfémia!!! Precisamos de blasfémia; encarar a mudança, o mundo! Os crentes sacralizam estes factos bíblicos e elevam a existência de um homem que foi revolucionário para a sua época (Jesus) a um plano divino... e se Jesus fosse a apenas isso? Um homem com todas as letras, com todos os seus possíveis e impossíveis, angústias, alegrias e desejos? Se pensarmos no fenómeno do culto da personalidade, em Estaline, Hitler, Elvis Presley e outras tantas estrelas do cinema e da música... talvez possamos compreender que grandes personalidades, grandes carismas são seguidos e aclamados, por vezes quase divinizados. Porque não pensar que sucedeu o mesmo com Jesus? Ainda assim, porquê acreditar apenas que ele é Deus? Porque não ponderar outra hipótese? E pior, que é feito da nossa inocência de criança? Da nossa inocência crítica? Estamos viciados, mas cabe apenas a nós a ousadia de pensar.

Domingo, Agosto 10, 2008

Esplanada

Numa tarde congelada nesta Hora imóvel...
Avisto farrapos de memória dispersa
De momentos de uma realidade imprecisa
Um leve fio de fumo deforma-se e me revela...
Um sol de meia idade
Imagens interlaçadas em minh'alma
Sugerem não ser de cá, mas de mim,
Ser impreciso, de vivência diária...
E mesmo assim, não sei
De onde vim, para onde vou
Apenas esta percepção momentânea
Uma calmaria circundante,
Uma calmaria de alma,
E vejo-me, como raras vezes visto
Assoma-me pela mente, que sei do que não sei
Restos de existência fixa
Moldados num momento,
Para no seguinte acordar
Desta minha lucidez... e morrer
No esquecimento de mim
E ser 1, no meio de tantos

31/07/2008

Quarta-feira, Abril 23, 2008

Hymn to Pan

Thrill with the lissome lust of the light,
O man! My man!
Come careering out of the night
Of Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan! Come over the sea
From Sicily and from Arcady!
Roaming as Bacchus, with fauns and pards
And nymphs and satyrs for thy guards,
On a milk-white ass, come over the sea
To me, to me,
Come with Apollo in bridal dress
(Shepherdess and pythoness)
Come with Artemis, silken shod,
And wash thy white thigh, beautifal God,
In the moon of the woods, on the marble mount,
The dimpled dawn of the amber fount!
Dip the purple of passionate prayer
In the crimson shrine, the scarlet snare,
The soul that startles in eyes of blue
To watch thy wantonness weeping through
The tangled grove, the gnarled bole
Of the living tree that is spirit and soul
And body and brain - come over the sea,
(Io Pan! Io Pan!)
Devil or God, to me, to me,
My man! My man!
Come with trumpets sounding shrill
Over the hill!
Come with drums low muttering
From the spring!
Come with flute and come with pipe!
Am I not ripe?
I, who wait and writhe and wrestle
With air that hath no boughs to nestle
My body, weary of empty clasp,
Strong as a lion and sharp as an asp -
Come, O come!
I am numb
With the lonely lust of devildom.
Thrust the sword through the galling fetter,
All-devourer, all begetter;
Give me the sign of the Open Eye,
And the token erect of thorny thigh,
And the word of madness and mystery,
O Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan Pan! Pan Pan! Pan,
I am a man:
Do as thou wilt, as a great god can,
O Pan! Io Pan!
Io Pan! Io Pan Pan! I am awake
In the grip of the snake.
The eagle slashes with beak and claw;
The Gods withdraw;
The great beasts come, Io Pan! I am borne
To death on the horn
Of the Unicorn.
I am Pan! Io Pan! Io Pan Pan! Pan!
I am thy mate, I am thy man,
Goat of thy flock, I am gold, I am god,
Flesh to thy bone, flower to thy rod.
With hoofs of steel I race on the rocks
Through solstice stubborn to equinox.
I rave; and I rape and I rip and I rend
Everlasting, world without end,
Mannikin, maiden, maenad, man,
In the might of Pan.
Io Pan! Io Pan Pan! Pan! Io Pan!

Aleister Crowley (1929)